Escritos na varanda

Imagino-me a escrever na varanda, ao fim da tarde, com o Sol a por-se no horizonte e uma bebida gelada ao lado. Como eu nem sequer tenho varanda, tudo isto é ilusão.

sábado, 31 de dezembro de 2016

Bom Ano de 2017


É fim de ano ninguém leva a mal.
Espera aí, enganei-me, isso é no carnaval.
Bem, não interessa, estão todos ocupado com as badaladas e os desejos e os balanços e ninguém vai reparar nisto.
Bom Ano de 2017 para as pessoas de bem.
Com muita música.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Sentinela


Daqui vejo o céu e vejo o mar
Controlo os ventos e as tempestades
Vejo os barcos a ir e a voltar
Pescadores de todas as idades
Na labuta diária a trabalhar.

Aqui eu posso ser o que quiser
Capitão, almirante ou marinheiro
E deixo só passar quem eu disser
Não importa se traga ou não dinheiro
Seja bem vindo apenas quem vier.

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Mares, Ares e Companhia Ilimitada


Mares, Ares e Companhia Ilimitada, é uma empresa na hora, para todas as horas. O capital social é de um milhão de sonhos, depositados no banco de madeira com vista para a falésia. A conta corrente quebrou a corrente e corre, livre, à frente do vento. O escritório, sem paredes nem tecto, tem as janelas do mundo sempre abertas. O cofre é tão forte que as acções valem mais que as palavras. O gerente não tem hora de entrar porque está sempre fora de si de satisfação. A empresa não paga impostos porque ali nada é imposto, é tudo feito de livre vontade. O lucro ainda não foi apurado porque a felicidade não deixa tempo livre para essas coisas. A inspecção nunca lhes bateu à porta porque nem porta têm. As actas das assembleias começam sempre nas entradas e acabam sempre nos digestivos. Distribuem os dividendos multiplicando a felicidade de todos.
Um dia a empresa faliu. O funeral é amanhã.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Janela sem tempo


A mala numa das mãos,
O cajado na outra.
Curvados
Que o peso de existir
É muito grande.
Sem uma despedida,
Sem um olhar vago,
Avançaram
Arrastando os pés
Pelo caminho.
Na mala
Carregavam as memórias
De uma vida inteira.
Por falta de espaço
Deixaram ficar os sonhos
As promessas,
Os trabalhos inacabados
De quem vive do trabalho.
Partiram
Talvez para sempre,
Que a esperança de voltar
Era pouca ou nenhuma.
A janela e o tempo
Agora pertenciam às teias de aranha.


domingo, 25 de dezembro de 2016

Informática de Cro-Magnon


Depois da Idade da Pedra Lascada surgiu a da Pedra Polida. Seguidamente veio a Idade da Madeira Lascada e finalmente a Idade da Madeira Polida.
É a esta última época que remontam os primeiros artefactos informáticos conhecidos. Escavações recentes encontraram pens USB em madeira polida e envernizada.
Alguns investigadores defendem que terá havido contactos destas civilizações antigas com extraterrestres visto que à data o verniz era ainda desconhecido.

Nota da redacção:
Estes são os "brinquedos" para as "crianças" de que falei no post de ontem.

sábado, 24 de dezembro de 2016

Bye bye centros comerciais


Este foi o ano zero da tolerância zero aos centros comerciais e grandes superfícies.
As palavras milhares de vezes repetidas nos anúncios e publicidade de "compre", "dê", "ofereça", "obtenha", "adquira", não tiveram qualquer efeito.
Não há pachorra para me cruzar com a quantidade de gente que anda às compras como se não houvesse amanhã.
Os presentes limitaram-se a caixas de madeira feitas por mim e postas a secar no telhado para que ficassem prontas a tempo, cheias com produtos alimentares.
O que eu poupei em sacos de plástico.
Adeus consumo supérfluo.



Houve também umas coisas para os miúdos, e adivinhem lá, a tendência de moda este ano era a madeira. Foi igual para todos os tamanhos e idades.
Ah, mas esses têm Facebook, por isso não vou dizer mais por agora. Amanhã coloco aqui uma fotografia.
Feliz Natal para as pessoas de bem.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

O aprendiz de pintor


Já sei o que é um pincel. Já sei o que é a tinta. Agora só me falta afinar a pontaria e conseguir acertar no quadro.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Filosofia de esgoto


Sobre o processo "Casa Pia":

"Bom, aquilo se calhar ao princípio custou-lhes um bocadinho... mas depois habituam-se.
No fundo, era uma forma de terem uma comidinha melhor no prato e uns ténis de marca.
Ah, mas isso de virem para os jornais e televisões dar cabo da vida às pessoas é que está mal."
(Fim de citação)

Um dia o filho da puta do racista morre, e o mundo fica um bocadinho menos poluído.


segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Sob um Sol de inverno


O farol, guardião dos mares, estava assente no molhe, guardião das terras contra as investidas dos mares. Com o Sol quase a por-se no horizonte, as suas silhuetas destacavam-se sobre o fundo da paisagem. Adivinhava-se uma noite de muito trabalho para os dois.

domingo, 18 de dezembro de 2016

Lagartixauro Rex


Isto passa-se numa explanada portuguesa. Para que serve a ASAE se não toma conta destas ocorrências?

sábado, 17 de dezembro de 2016

Frio


Está um frio que não se pode. E os pés estão completamente gelados.
O que é que se faz numa situação destas?
É simples: faz-se um chá.
A água quente vai por ali abaixo, até mesmo ao fundo e acaba por aquecer os pés.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Um grão de areia


As lágrimas caiam-lhe pela cara abaixo. Ela viu-o e teve pena dele. Sentou-se numa rocha e meteu conversa tentando confortá-lo.
Ele aceitou a conversa e agradeceu a ajuda. Chegou-se mais para perto dela ao mesmo tempo que fazia figas para que ela não descobrisse que era apenas um grão de areia que lhe tinha entrado para a vista.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

ALF


Um dia, ao perseguir o gato do vizinho, Alf tropeçou e caiu dentro do balde da lixívia. Ficou branco, igualzinho ao seu primo Al Bino.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

A essência do dia


E depois há aqueles estereótípos que todos aceitam e ninguém questiona. Como o de se oferecerem flores.
Um dia eu vi uma flor. Já o braço ia esticado na sua direcção quando me ocorreu que não a devia arrancar. Em vez disso fotografei-a e enviei-lha numa mensagem onde dizia: "Gosto muito de ti mas isso não chega para arrancar uma flor que não me fez mal nenhum. Ofereço-te só a imagem."
Ficou chateada.
Ou não gostou ou não percebeu.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

O jardim das árvores sós


O pinheiro ali estava abandonado
Num jardim onde mais ninguém havia
Mesmo em dias de Sol, ou se chovia
Ali permanecia enraizado.

Muitos outros já tinham debandado
P’ra lugares onde a vida mais sorria
Como nunca ligou a quem dizia
É essa a razão de ali ter ficado.

Foram todos embora, não faz mal
Eram só companheiros por acaso
Interessa o estado actual

De haver liberdade em cada caso
Serem muitos não é melhor sinal
E a vida acreditem não tem prazo.



domingo, 11 de dezembro de 2016

O jardim das árvores tristes


A noite anoiteceu mais cedo
O vento soprou devagar
Caem folhas sob o luar
Ninguém sabe qual o segredo.
Não se sabe por que meio
Chegou a notícia triste
A alegria não existe
Porque hoje ela não veio.

sábado, 10 de dezembro de 2016

Atrás uns dos outros


Muita gente diferente a fazer coisas iguais.
Talvez devesse haver mais gente igual a fazer coisas diferentes.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Debaixo do mesmo tecto


Era a hora dos morcegos. O dia tinha acabado há pouco tempo, o que lhes permitiu saírem das suas tocas. Com o passar das horas acalmam-se, mas nestes primeiros instantes esvoaçavam em todas as direcções como se não houvesse amanhã.
Não gostava de morcegos. Irritava-o senti-los a voar junto à sua cabeça, muitas vezes sentia as asas a roçarem-lhe o cabelo. Havia no entanto um período do dia em que tinham de conviver debaixo do mesmo tecto.
Era a hora em que esperava pela Joana que saia do turno no supermercado. Mesmo em frente, do outro lado da rua havia um pequeno jardim e quando não chovia era aí que gostava de esperar, sentado num dos bancos de madeira gastos pelo passar dos anos.
Mesmo apesar dos morcegos

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

O mundo ao contrário


Talvez fosse uma questão de perspectiva. No fundo, tudo é uma questão de perspectiva. Mas um reflexo é apenas e só um reflexo, que devolve uma imagem invertida da realidade, se é que isso existe. Até agora ainda não se inventou um espelho que reflicta imagens direitas. Talvez seja um bom desafio para a ciência nos séculos vindouros.

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

O vício do mar


Havia pequenas diferenças desde que ali estivera pela última vez. O local era o mesmo e as rochas também, mas as ondas pareciam-lhe diferentes. Estas batiam na costa com muito mais força. Estas nuvens que quase tapam o Sol em nada se parecem com as outras que deixavam ver um resplandecente céu azul.
O vento é que se mantinha sempre igual, e nem deixava abrir a janela. Consequencia disso é que os vidros começavam a embaciar por dentro, sinal de que estava na hora de partir.
Satisfeito o vício de ver o mar, já nada mais ali havia a fazer.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

A geração do braço levantado


A geração do braço levantado não tem idade. Tudo guarda, tudo filma, tudo capta. A memória é infinita mas as lembranças são vagas.
Acabado o espectaculo baixa o braço, baixa os olhos para o ecrã e a vida continua.

sábado, 3 de dezembro de 2016

O homem da vassoura


As bruxas, todos o sabem, usam as vassouras apenas para voar.
E quem é que usa as vassouras para o fim a que se destinam?
Exactamente, são os burros. Os burros é que usam as vassouras para varrer.
Só que, dizem, os burros estão em vias de extinção.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Na busca eterna da razão


Hoje o que saísse da ponta da caneta era merda. Em alternativa aqui fica uma lembrança do álbum "Mistérios e maravilhas" dos Tantra.

À beira do fim

Tu que corres espirais sem fim
E no agora me encontraste
Ouve bem o que te vou dizer

Tu foges do teu tempo
Não tens mais onde te esconder
Apenas te resta viver

Fecham-se as portas
Do tempo futuro
Temes as sombras do teu passado

À beira do fim
Como monstros abandonados
Nas margens de um sonho perdido

À beira do fim
Como filhos de um pesadelo
Na busca eterna da razão

Tu e eu aqui suspensos
Sobre o vazio
Filhos cibernéticos
Criados para sofrer
Sobrevivemos

Deixemos a ilusão
Comecemos a viver
A razão

Tu que viajas no ventre do tempo
E agora me encontraste
Ouve bem o que é que vou dizer

À beira do fim
Como monstros abandonados
Nas margens de um sonho perdido

À beira do fim
Bandeirantes da loucura
Na busca eterna da razão

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

A gaivota que voava baixinho


Era uma vez uma gaivota. Igual a todas as outras excepto numa coisa: tinha vertigens. Por causa disso nunca se atrevia a voar muito alto, com medo de cair.