segunda-feira, 19 de outubro de 2015

A cidade vazia


Era uma cidade onde os bancos de jardim estavam vazios. O próprio jardim estava vazio.
As pessoas, vazias, refugiavam-se longe dos olhares vazios de esperança de quem acidentalmente passava.
Esvaziaram corações e carteiras. Esvaziaram sonhos e desejos. Esvaziaram frigoríficos e despensas. Esvaziaram fábricas e escolas. Esvaziaram até a própria vida.
A cidade, vazia de vida e de vidas jazia solitária e inerte sob o calor do Sol que teimava em passar todos os dias.