Escritos na varanda

Imagino-me a escrever na varanda, ao fim da tarde, com o Sol a por-se no horizonte e uma bebida gelada ao lado. Como eu nem sequer tenho varanda, tudo isto é ilusão.
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quinta-feira, 5 de junho de 2014

A queijadinha


“Olhá queijadinha de Sintra!”
O pregão soou-lhe aos ouvidos instintivamente, mal viu o prato com as queijadas pousar na mesa.
As queijadas de Sintra eram as companheiras das tardes de futebol, no tempo em que ia ao futebol.
Sim, que a vida dá muitas voltas, mais até que o próprio esférico, centro das atenções desportivas. Ou melhor dizendo, alienativas.
E, por várias razões difíceis de explicar, e mais difíceis ainda de entender, tinha deixado de ir ao futebol. Uma das principais, senão mesmo a principal, tinha a ver com a consciencialização de que o desporto em geral e o futebol em particular se tinha tornado num instrumento de alienação colectiva, de controlo de massas.
Mas a verdade é que de vez em quando sentia saudades de alguns momentos passados. Como por exemplo agora, à vista do prato de queijadas.
De olhos semicerrados, de olhar perdido na neblina que descia da serra e que enchia a vidraça da janela que tinha defronte dos olhos, indiferente aos sons e à agitação em redor, recordava alguns desses momentos.
Uma voz mais alta que as demais gritou perto dos seus ouvidos “a conta, faxavor” o que o fez despertar e regressar da nostalgia à realidade.
Então compreendeu porque é que as bolas paradas se movem, e às vezes até entram na baliza. Verificou com os próprios olhos que as queijadas, paradas no prato, também se moveram, todas sem excepção. O café, esse, jazia frio e inerte na chávena à sua frente.
Que bom é estar rodeado de amigos.


sábado, 8 de março de 2014

O dia mundial

                                           Mem Martins, 1 Outubro 2011

Há dias assim. Nascem e tornam-se logo famosos, mundialmente conhecidos, universalmente celebrados, quase sempre (salvo algumas excepções) sem se saber porquê.
Há outros, porém, que não passam de um amontoado de horas, minutos e segundos, servem apenas para dar uso às folhas do calendário.


quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

O cais

                                          Restelo, 23 Fevereiro, 2014

O  cais,
Nem sempre é de partir,
Nem sempre é de chegar,
Às vezes é de ficar,
Na quietude de um fim de tarde,
Matando o tempo
E alguns peixes também.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

A redacção


Menino Carlinhos, a redacção que mandei fazer ontem?
Está aqui, stôra.
Muito bem, vamos lá ler então.

Os meios de transporte
Os meios de transporte, são meios que nos transportam. Os meios de transporte são mais seguros que as pontas de transporte, pois se houver um acidente, os das pontas morrem primeiro.
Os meios de transporte servem para irmos a qualquer lado. Se a distância for pequena podemos usar a bicicleta, o carro, o autocarro, ou o metro. Se a distância for grande temos de ir de comboio, de barco ou de avião, senão não chegamos lá.
A pé também podemos ir a qualquer lado mas isso não é um meio de transporte, é para desenrascar quando não temos dinheiro para o bilhete.
Às vezes não queremos ir a lado nenhum mas obrigam-nos, nesse caso o melhor é ir de avião que é mais rápido, porque caso nos queiram obrigar a fazer mais alguma coisa não conseguem porque já vamos a caminho do sítio para onde não queríamos ir.
Eu gosto muito dos meios de transporte, mas o que gosto mais é o avião porque voa.


domingo, 9 de fevereiro de 2014

A ilusão

                                      Mem Martins, 21 Julho 2008

O que é que está próximo e o que é que está afastado?
Quem é real e quem é ilusão?

sábado, 14 de dezembro de 2013

Arco íris

                   
                                     Mem Martins, 15 Novembro 2011

Nem sempre o arco íris tem um pote cheio de moedas de ouro no final.

domingo, 1 de dezembro de 2013

O Espelho

                                              Pombal, Castelo, 11 Abril 2010

Espelho: dois lados, uma só realidade.