Escritos na varanda

Imagino-me a escrever na varanda, ao fim da tarde, com o Sol a por-se no horizonte e uma bebida gelada ao lado. Como eu nem sequer tenho varanda, tudo isto é ilusão.
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quinta-feira, 11 de maio de 2017

Lagoa azul


Há encontros que não se conseguem evitar. Quando menos esperamos tropeçamos no passado, mesmo estando no presente.
Desse tropeção, duas coisas podem resultar: ou conseguimo-nos aguentar em pé, ou não conseguimos e caímos.
Há ainda uma terceira situação e bem pior do que estas duas. É quando, para evitar cairmos, nos agarramos ao passado.


quarta-feira, 29 de junho de 2016

Água fria de azul


Primeiro um pé, para se habituar à temperatura, depois o outro. Quando deu por ela estava submerso até aos tornozelos. A subida da água até aos joelhos foi mais demorada. O líquido estava ali ao Sol mas não havia meio de aquecer. Hesitou em molhar os calções. Talvez não fosse bom para a saúde. Deus uns passos pela pequena lagoa. Percebeu que se avançasse a água subiria. Inversamente, recuando acabaria por se por a salvo da temperatura do termómetro. Foi isso que fez. Estava o banho tomado.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Sem rede


Não sou pescador. Nunca fui, acho que nunca hei-de ser, e tenho raiva a quem é.
Mas até eu gostaria de ter rede. Para pescar mensagens e chamadas.
No meio do nada esperei por ti e tu não viestes conforme tinhamos combinado. Esperei tempo demais, até pegar no telemóvel para ver as horas e reparar que não há cobertura de rede.
As horas, essas, foram levadas pelo vento que cria ondas na superfície da lagoa.
Frustrado guardo o aparelho, dirijo-me para o carro e começo a viagem de regresso. Ao aproximar-me da estrada principal chega um sinal de mensagem. Encosto o carro para ler. É tua. Dizes que não podes ir por causa de uma desculpa qualquer.
O habitual.