Escritos na varanda

Imagino-me a escrever na varanda, ao fim da tarde, com o Sol a por-se no horizonte e uma bebida gelada ao lado. Como eu nem sequer tenho varanda, tudo isto é ilusão.
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sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Fumo


Para quem não sabe, o fumo pode ser artístico. Permite tirar fotos muitos boas. O problema, cof, cof, cof, cof, são as vias respiratórias.
E pensar eu que ainda ontem a chaminé foi limpa.
Em vez de fazerem milho transgénico, os cientistas deviam era inventar lenha transgénica que não fizesse fumo.
O que eu precisava mesmo era de um tratado moderno de como acender a lareira neste apartamento (*).



(*) Como sabem (não sabem???), trata-se de uma piada de mau gosto, como são todas as inventadas por mim, relativa ao livro "Tratado moderno de como acender lareiras em apartamentos" de João J. A. Madeira.

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Da relatividade das coisas


Vinte e dois graus é pouco para quem está de férias, mas que bem que sabiam agora, junto desta lareira que queima madeira e não deita calor.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

A lareira






Não és mais que uma brasa apagada
Esquecida a um canto da lareira.
Fui eu que te apaguei de madrugada
Com as lágrimas que deitei sobre a fogueira.

Partiste sem adeus, sem dizer nada
Levaste a minha esperança toda inteira.
Só deixaste aqui ficar, desarrumada,
Uma pitada de saudade passageira.

O tempo vai conseguir apagar
As memórias qu’ ainda permanecem
E lenha nova acaba de chegar

P’ra queimar as lembranças que não esquecem.
Fogo lento que queima devagar,
Aquece quando as noites arrefecem.


terça-feira, 19 de janeiro de 2016

E um copo na mão


Sim, eu sei, o que sabia bem era ter na mão um copo, podia ser de whisky por exemplo. Assim aquecia também por dentro, já que este calorzinho mal chega para aquecer os pés.
Mas não, o que tinha na mão era uma caneca de chá com mel, por causa da constipação.
Atchim.
Santinho.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Alerta amarelo


Por enquanto não era grave, era só um aviso.
Estava ali, sentado no chão e embrulhado numa manta até à cabeça, só com o nariz e os olhos de fora. A manta tinha acabado de ser lavada, tal como a roupa toda que trouxera para a casa nova, no entanto já tinha o cheiro a fumo entranhado até à raiz de cada microfibra.
A dança das chamas não traz solução nenhuma, apenas distrai. Era isso que fazia, brincava com o fogo para se distrair. Imaginava figuras em cada contorno de cada labareda. Figuras que corriam atrás umas das outras à medida que as labaredas saltavam de uma brasa para outra.
Quão familiares lhe pareciam aquelas labaredas. Corriam, corriam, mas não apanhavam nada. 
Meteu uma mão fora da manta e esticou o braço. Quando o recolheu, o alerta passou de amarelo a laranja. O conteúdo da garrafa aproximava-se perigosamente do fim.