Escritos na varanda
Imagino-me a escrever na varanda, ao fim da tarde, com o Sol a por-se no horizonte e uma bebida gelada ao lado. Como eu nem sequer tenho varanda, tudo isto é ilusão.
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sexta-feira, 21 de julho de 2017
sexta-feira, 14 de julho de 2017
terça-feira, 17 de janeiro de 2017
À sombra da beira mar
Descemos os dois as escadas que conduzem ao vasto areal, e caminhámos lentamente pela beira mar. Desceste a escada da ponta norte e eu a do lado sul. O mar estava calmo e a maré baixa transmite uma sensação de segurança que é um convite a caminhar pela água. Sentei-me na areia, tirei os sapatos e fiquei por instantes a ver o Sol cruzar a linha do horizonte. Depois levantei-me e continuei o caminho, desta vez com os pés enterrados na espuma das ondas que, vagarosas, davam à costa.
As sombras da noite começavam a acentuar-se e tive dificuldade em distinguir-lhe as feições quando nos cruzámos, Os cabelos compridos e escuros que a brisa teimosamente empurrava para a cara apenas deixaram ver um nariz arrebitado.
Disse "boa noite" quando passou por mim, ao que eu respondi na mesma moeda. e antes que levantasse o pé para dar o passo seguinte, a voz voltou a dirigir-se a mim, desta vez em tom de pergunta: António?
Parei, virei-me e dei de caras com uma cara com ar tão surpreendido como o meu. O meu cérebro trabalhava a toda a velocidade e buscando recordações nos confins longinquos da memória consegui associar a imagem vaga que tinha à minha frente ao tom de voz que me interpelou e apenas consegui dizer "Vanda".
Ao ouvir o nome o tom de surpresa desapareceu e fez um sorriso, como se se tivesse desvanecido o receio de que não a recordasse ou reconhecesse.
O sorriso no entanto foi breve. Aproximou-se e cumprimentou-me. Logo de seguida deu uns passos atrás e sentou-se onde a areia não estava ainda molhada pelas ondas. Sentei-me também, mantendo alguma distância.
Com os olhos postos na ténue claridade que indicava onde estava a linha do horizonte, disse: "Reconheci-te pela voz".
- Eu não, lamentei cabisbaixo.
sábado, 23 de abril de 2016
Sentados na areia
Conhecer não é saber. Conhecia-a não não sabia quem ela era, nem o que fazia, nem o que pensava, nem o que queria, nem para onde ia.
Uma vez chegou a pensar que... mas não, a ideia era absolutamente estúpida. Uma outra vez teve a ousadia de perguntar, mas no momento seguinte arrependeu-se logo de o ter feito. Ficou na mesma ignorante, não aprendeu nada. Não percebeu nada do que ela disse, naquele estilo de linguagem que fala mas não diz nada.
De certa forma sentiu-se aliviado. Uma sombra de dúvida pairou sobre o seu espírito, ficou sem saber se era propositado ou se alguma limitação a impedia de dizer coisa com coisa.
Talvez fossem horas de voltar, o Sol já se tinha posto há alguns minutos e a claridade que restava já não era muita.
Levantou-se, sacudiu a areia das calças e apenas por hábito estendeu a mão. Sabia de antemão que ela a iria ignorar e se levantaria sem qualquer tipo de ajuda.
No meio de tanto desconhecimento, era a única coisa que sabia dela.
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