Escritos na varanda

Imagino-me a escrever na varanda, ao fim da tarde, com o Sol a por-se no horizonte e uma bebida gelada ao lado. Como eu nem sequer tenho varanda, tudo isto é ilusão.
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sábado, 30 de setembro de 2017

Uma subida sem glória


Quando não se tem pressa, qualquer que seja o ritmo da passada serve. Eu não tinha pressa por estar contigo, mas tu, vá-se lá saber porquê, estavas com pressa, como aliás acontecia sempre que estavas comigo.
A subida era difícil, o calor era muito, e eu pensei, ó ingenuidade, que estava ali a minha oportunidade para te dar a mão, com a desculpa de te ajudar a subir.
Talvez me tivesses lido os pensamentos. Que não, disseste, não precisavas de ajuda. Como prova disso fizeste a subida toda dois passos à minha frente.
Não eram precisas muitas palavras para eu perceber, mais uma vez, que não querias nada comigo.
Quanto à subida, não digas a ninguém, mas fui eu que te deixei ganhar.


quarta-feira, 13 de setembro de 2017

O turista acidental II


Quando é preciso subir a encosta e as pernas estão cansadas.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

O turista acidental


Às vezes há circunstâncias que nos desviam das nossas rotinas. E então, mesmo não sendo de forma intencional, vemos coisas que nunca vimos, ou, pior ainda, que temos diante dos olhos mas em que nunca reparámos.

sábado, 10 de junho de 2017

O caminho das estrelas


Traço, traço, traço [espaço)
Ponto,
Ponto,
Ponto,
.
.
.

Parece código morse, ou sinais enviados por uma civilização alienígena.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Um breve encontro


Foi breve o nosso encontro, tão breve que não ficou dele nem uma memória fotográfica.
Um rosto, uns olhos, um olhar penetrante. E no instante seguinte já lá não estavas.
Trezentos e sessenta graus rodei eu sobre os calcanhares à tua procura, e nada.
Podia ter sido um reflexo da luz na água, mas eu sei que não foi.

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Rossio by night


A estação tinha o mesmo aspecto de sempre. O centenário edifício mantinha-se de portas abertas, por onde entravam e saiam as multidões que no seu dia a dia o frequentavam.
Mas desta vez havia algo de diferente, faltavam as pessoas. Talvez por ser inverno, talvez por estar frio, talvez por estar a chover, talvez por ser quase noite, talvez por ser fim de semana, faltavam ali as pessoas.

sábado, 3 de junho de 2017

O pugresso


Para que o "pugresso" e o desenvolvimento atinjam o seu ponto máximo, ainda falta ver o rio cheio de tuk-tuks.
Já não falta muito, autocarros já la andam. E só não põem eléctricos porque parece que a água dá choque.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

A descida


Já me imaginava aqui com um capacete, umas luvas e umas joelheiras.
E um carrinho de rolamentos, claro, isso era a parte principal.

domingo, 7 de maio de 2017

A passo de caracol


Há sempre alguma luz, alguma cor, mesmo no mais cinzento dos cenários.

domingo, 26 de fevereiro de 2017

A porta de entrada


A porta de entrada para um mundo onde ubers e tuc-tucs são mais importantes do que pessoas.

Uma vista clássica


A cidade para o cidadão
Sem o raio da multidão
Com o telemóvel na mão.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

A limpeza


Povo que lavas o rio,
Que gastas com a tua mangueira
As águas da minha torneira.
Pode haver quem te entenda,
Quem te incentive até
Mas a minha vida não.


quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Sobe e desce


O entusiasmo descia à medida que o eléctrico subia a encosta. O preço era caro, a qualidade era barata, o espaço era pouco, os passageiros eram muitos, e ainda havia os carteiristas ali misturados no meio da gente.
Depois, como tudo o que sobe desce, havia que regressar ao local de origem, mas desta vez a pé. Assim até havia mais tempo para apreciar aquele recanto pitoresco, que traduzido do dialecto turístico significa sujo.


domingo, 14 de agosto de 2016

segunda-feira, 25 de julho de 2016

As amarras


Soltaram-se as amarras.
Que os ventos da liberdade soprem depressa.

quinta-feira, 10 de março de 2016

A aranha

                               (foto: Rafaela)

Fios e fios, e fios, e fios.
Fios por todos os lados.
A aranha gigante enreda-nos a todos na sua teia.

sábado, 6 de fevereiro de 2016

A outra margem


Comprámos os bilhetes, saimos, e sentámo-nos junto ao cais. Ainda faltava algum tempo para o barco partir. Durante os vários minutos que ali estivemos a contemplar a outra margem nenhum de nós disse nada. Não era preciso, iamos para o mesmo sítio.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016