Escritos na varanda
Imagino-me a escrever na varanda, ao fim da tarde, com o Sol a por-se no horizonte e uma bebida gelada ao lado. Como eu nem sequer tenho varanda, tudo isto é ilusão.
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domingo, 30 de outubro de 2016
Na terra dos dinossauros
Sempre fui bom a seguir pegadas. Por entre trilhos de brontosauros fui seguindo o seu rasto. Cruzei-me com um caçador a quem perguntei se tinha visto uma rapariga vestida com uma pele de corça.
Respondeu-me que sim, tinha visto alguém assim, mas não sabia se era quem eu procurava porque ali todos vestem peles de corça. Acrescentou que ia na direcção da grande rocha onde os pterodáctilos fazem os ninhos.
Agradeci e segui o meu caminho, abstendo-me de comentar que não era bem verdade que todos vestissem peles de corça, só para não arranjar confusões. Eu tirei a minha para não me prender os movimentos e tornar-me mais rápido, e usava apenas uma parra.
No alto da encosta fiz uma pausa e com o meu óculo de pedra lascada percorri o horizonte com a vista.
Nisto toca a campainha e acordei. É o que faz dormir de dia. Dão-nos mais horas para dormir mas não informam que os sonhos não estão incluidos e são por nossa conta e risco.
segunda-feira, 18 de abril de 2016
O caminho das pedras
Eram muitas, mas eram quase todas pequenas. Não havia nenhuma pedra grande o suficiente onde se pudesse sentar por uns instantes. E que bem que lhe saberia sentar-se e descansar.
Não parecia mas era inverno e a quantidade de roupa que vestiu por precaução agora atrapalhava bastante. A roupa colava-se ao corpo com a transpiração e dificultava os movimentos já de si difíceis porque as pedras resvalavam debaixo dos pés.
Mesmo sem assento resolveu parar. Virou-se para trás, puxou o boné para a testa para proteger melhor os olhos da luz intensa e ali ficou a contemplar o carreiro íngreme que subia pela encosta.
Tão pouca coisa mas tanto para ver. Apenas pedras, vegetação rasteira e o mar ao fundo. Poucas coisas que no seu conjunto formavam uma paisagem deslumbrante.
O pior era o resto do caminho que ainda faltava.
Baixou-se e pegou numa pedra. Olhou-a demoradamente por todos os lados e guardou-a na mochila. Era uma recordação, como habitualmente fazia.
Quanto tempo teria esta pedra? Uns milhões de anos certamente, como qualquer pedra que se preza. Talvez fosse do tempo do Jurássico. Do Jurássico não, pensou depois de reflectir, não parece haver por aqui pegadas de dinossauros, talvez do Cretáceo.
Riu-se sozinho, contente com a sua ignorância sobre pedras, voltou a colocar a mochila aos ombros, e reiniciou a subida.
Olhando o cimo da encosta fez uma pausa, soltou uma gargalhada e disse bem alto "as lá de cima são do Cretáceo Superior".
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