Escritos na varanda

Imagino-me a escrever na varanda, ao fim da tarde, com o Sol a por-se no horizonte e uma bebida gelada ao lado. Como eu nem sequer tenho varanda, tudo isto é ilusão.
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terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Sol bi-estrelado


Não bastava o Sol de ontem apontar inúmeros caminhos, hoje temos um Sol a dobrar, a apontar ainda mais caminhos.
Ou então é o Planeta Nibiru, que se esconde atrás do Sol

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Sol estrelado


Parece o Sol da meia noite mas não é. É das cinco da tarde, fotografado com uma abertura de f/22.
Se eu fosse daqueles que seguem caminhos apontados por estrelas, tinha aqui um grande problema. É que isto aponta para todos os lados, e eu não saberia para onde ir.
Já não fazem estrelas-que-apontam-caminhos como antigamente.

segunda-feira, 18 de abril de 2016

O caminho das pedras


Eram muitas, mas eram quase todas pequenas. Não havia nenhuma pedra grande o suficiente onde se pudesse sentar por uns instantes. E que bem que lhe saberia sentar-se e descansar.
Não parecia mas era inverno e a quantidade de roupa que vestiu por precaução agora atrapalhava bastante. A roupa colava-se ao corpo com a transpiração e dificultava os movimentos já de si difíceis porque as pedras resvalavam debaixo dos pés.
Mesmo sem assento resolveu parar. Virou-se para trás, puxou o boné para a testa para proteger melhor os olhos da luz intensa e ali ficou a contemplar o carreiro íngreme que subia pela encosta.
Tão pouca coisa mas tanto para ver. Apenas pedras, vegetação rasteira e o mar ao fundo. Poucas coisas que no seu conjunto formavam uma paisagem deslumbrante.
O pior era o resto do caminho que ainda faltava.
Baixou-se e pegou numa pedra. Olhou-a demoradamente por todos os lados e guardou-a na mochila. Era uma recordação, como habitualmente fazia.
Quanto tempo teria esta pedra? Uns milhões de anos certamente, como qualquer pedra que se preza. Talvez fosse do tempo do Jurássico. Do Jurássico não, pensou depois de reflectir, não parece haver por aqui pegadas de dinossauros, talvez do Cretáceo.
Riu-se sozinho, contente com a sua ignorância sobre pedras, voltou a colocar a mochila aos ombros, e reiniciou a subida.
Olhando o cimo da encosta fez uma pausa, soltou uma gargalhada e disse bem alto "as lá de cima são do Cretáceo Superior".

terça-feira, 12 de abril de 2016

O trilho perdido


Há mais de dois mil anos que se sabe que todos os caminhos vão dar a Roma.
Isto aqui não é própriamente um caminho, mas ainda assim há-de ir ter a qualquer lado.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

As tábuas do meu caminho


O caminho é longo. Talvez não leve a lado nenhum, em boa verdade a maior parte dos caminhos não levam a lado nenhum. Isso só por si não é grave, na maioria das situações, sair daqui é um destino mais do que suficiente. ^
Tábua após tábua aproximamo-nos do início de um novo amanhã.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Never look behind

                                      Foto Jorge Pereira

So goodbye, there I go
Down the road with no end
I’m the one who should know
When I’m losing a friend.
Left my dreams all behind
Don’t need them anymore
In the distance I’ll find
A new friendship and more.
One by one I will drop
All the hopes that I’ve made
Finally I will stop
Find the dreams had all fade.
I have waited too much
Don’t want to waste more time
Hope that we keep in touch
But our feelings don’t rhyme.
There’s no time to feel sorrow
A new life to discover
I can’t wait for tomorrow
Have my pride to recover.


domingo, 19 de julho de 2015

O caminho da felicidade


E depois há esta mania de não por placas nos caminhos. Como é que eu vou saber se o caminho da felicidade é por ali ou por ali?

segunda-feira, 25 de maio de 2015

terça-feira, 28 de abril de 2015

Caminhando


Movemo-nos. Nem sempre em linha recta, mas sempre com os olhos postos no futuro.

sexta-feira, 6 de março de 2015

A curva no caminho


Queria dizer alguma coisa mas não sabia o quê. Ainda me virei para trás e abri a boca mas não saiu som nenhum. Retomei então o passo, contornei a curva do caminho e desapareci.


terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Este chão que piso



O caminho é feito de avanços e recuos. Por vezes pára-se, outras vezes vira-se para algum dos lados em busca de outra direcção. Ao certo não se sabe quantas vezes já passámos pelos mesmos sítios, quantas vezes já vimos os mesmos locais, quantas vezes já cumprimentámos as mesmas caras.
E os pés continuam, passo atrás de passo, como se as solas fossem eternas, como se o destino não pudesse ser encontrado aqui e agora e tivéssemos que caminhar para o encontrar.
Em todo o caso sempre são mais os avanços do que os recuos.


quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Passo


Passo.
Mas não passo despercebido, porque há sempre algo que fica para trás, mesmo contra vontade ou inconscientemente.
Passo.
E apesar de insignificante para o mundo, foi um grande passo para mim, pois assim me aproximei mais do meu objectivo.


domingo, 14 de setembro de 2014

O caminho descendente


No caminho descendente
Vão todos em alvoroço
Acreditam que à frente,
A estrada tem novo troço.
E seguem alegremente
Atados pelo pescoço

No caminho descendente
Ninguém pensa ou reage
Interessa que vá contente,
E saboreie a vernissage.
Apelidam de demente
Quem é diferente ou quem age.

No caminho descendente
Vão todos a ver navios
Seguem todos a corrente,
Sopram velas sem pavios,
Batem palmas de contente
Ao cruzarem novos rios.


quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

O caminho errado

                                                Monte Real, 22 Junho 2012

Enquanto esperava, sentei-me. Não que isso fizesse alguma diferença. Não iria fazer o tempo passar mais depressa, não me ajudaria a pensar melhor, talvez a única vantagem seria descansar um pouco as pernas. A jornada ainda seria longa.
Longa e dura.
Porque para falar verdade, estava no caminho errado. Sabia que estava no caminho errado, mas, por qualquer razão obscura, obstinava-me em percorre-lo.
A dureza não estava na dificuldade do caminho propriamente dita, estava no que me custava percorre-lo mesmo sabendo que não levava a lado nenhum. Mesmo sabendo o que iria custar quando o caminho chegasse ao fim.
É um pouco irracional, eu sei, é quase como a fuga à morte. É inevitável, todos sabemos, mas queremos adiá-la o mais possível. Eu sabia o que me irisa custar chegar ao fim do caminho, seria assim como uma morte, mas queria adiar essa chegada o mais possível, queria adiar o momento de ter de admitir mais um falhanço.
Vendo bem as coisas, este falhanço, ao contrário de outros, começou no preciso instante em que me meti ao caminho. O porquê de não ter parado logo e ter continuado, persistindo no erro, é que permanece um mistério.
No fundo, ao fim de tantos caminhos mal percorridos, e de tantos erros, talvez seja altura de finalmente reconhecer a minha incapacidade de me orientar pelos métodos tradicionais, e comprar finalmente um GPS.


domingo, 27 de outubro de 2013

O nosso caminho

                                                      Sintra, Rampa da Pena, 2 Julho 2013

Este é o nosso caminho, que temos para percorrer. Empedrado, escorregadio, inclinado, difícil portanto.
E o que já deixámos para trás? Íngreme, cheio de curvas, difícil também. E no entanto chegámos até aqui. Não sabes como? Nem eu. Não sabes porquê? Eu também não. Não sabes para quê? Também não faço ideia.

                                                  Sintra, Rampa da Pena, 2 Julho 2013

E isso interessa? Se interessa porque é que vieste até aqui, mesmo não sabendo as respostas? A procura de respostas que não são impeditivas de te deixarem percorrer o caminho apenas te podem atrasar. Como vês, mesmo não sabendo essas respostas conseguiste percorrer o caminho, bastou a tua vontade.

Daqui para a frente não vai ser nem mais fácil nem mais difícil, vai ser diferente. Não percas tempo a tentar saber quanto falta, ficarás a saber quando chegares. Até hoje só conseguimos chegar até aqui, portanto é aqui que temos que estar. Haverá talvez bifurcações, tal como já encontrámos no passado. Não me sigas nem vás à minha frente. Mantém-te a meu lado e qualquer um dos caminhos que escolhamos será o correcto.

Estamos no meio do nevoeiro mas isso não é desculpa para nos perdermos. Juntos encontramo-nos sempre.