Escritos na varanda
Imagino-me a escrever na varanda, ao fim da tarde, com o Sol a por-se no horizonte e uma bebida gelada ao lado. Como eu nem sequer tenho varanda, tudo isto é ilusão.
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sexta-feira, 6 de outubro de 2017
Passeio de lobo mau pelo bosque encantado
- Tu és o lobo mau?
- É o que dizem de mim.
- Porquê?
- Porque a maior parte das pessoas não são capazes de dizer "não sei", dizem sempre qualquer coisa mesmo que seja inventada só para ficarem bem vistas perante os outros.
- Ah, e porque é que és mau?
- Achas que sou mau?
- É o que dizem.
- Já te fiz mal?
- Não.
- Já me viste fazer algum mal?
- Não?
- Tens cabeça debaixo desse capuchinho vermelho?
- Claro.
- Então porque não a usas para pensar em vez de repetires o que os outros te dizem?
- Porque tenho de acreditar no que me dizem, e obedecer também, senão batem-me
- E achas isso bem?
- Não sei, sempre foi assim.
- Certo, então se achas que eu sou mau só porque te dizem, começa a correr e foge de mim.
- Mas tu não me fizeste mal.
- Em que é que acreditas afinal, no que vês ou no que te dizem?
- Agora não sei, essa conversa toda baralhou-me.
- Bom, fazemos o seguinte: faz de conta que não nos encontrámos, eu sigo o meu caminho e tu segues o teu.
- Mas vamos os dois pelo mesmo caminho, podemos conversar.
- Eu vou entrar no caminho da floresta.
(Continua)
segunda-feira, 24 de abril de 2017
A floresta
É preciso passar. Temos de passar. O outro lado espera-nos.
Os caminhos estão todos obstruídos. Não existem caminhos. Os caminhos que não existem estão obstruídos.
A pressa, sempre a mesma pressa a ditar as acções. A ânsia de chegar aonde não queremos estar. A vontade de cumprir vontades impostas.
Autómatos, sem raciocínio próprio, seguem o caminho previamente traçado, mesmo que esse caminho não exista, mesmo que esteja obstruído. Cegos, desnorteados, chocam, atrapalham-se, culpam-se mutuamente, sem verem a verdadeira origem da culpa. E lutam, e matam-se.
E o outro lado, já ali, à espera.
A rir-se.
segunda-feira, 14 de setembro de 2015
sábado, 11 de abril de 2015
A floresta verde
O primeiro escrito deste blog, já lá vão
quase cinco anos, contava a história de um ser que habitava na floresta negra.
Hoje tenho à minha frente outro ser e outra
floresta, esta verde.
Este ser é diferente e especial. A começar
pelo facto de não ter nome.
Tudo tem que ter um nome, portanto
chamemos-lhe Maria, porque Marias há muitas e é um nome que fica bem a qualquer
ser.
Maria, esta, ao contrário da outra, não
está fechada numa masmorra. Maria, esta, está fechada num palácio, mas ao
contrário da outra, não sabe que está fechada.
Há uma diferença enorme entre uma masmorra
e um palácio, tal como há diferenças enormes entre as duas Marias. Mas haverá
diferenças entre estar-se fechado, quaisquer que sejam as circunstâncias? Não
há, mas há quem queira acreditar que sim. É a ilusão que comanda o sonho e por
sua vez a vida.
A floresta verde não é assim tão diferente
da floresta negra, excepto na cor, mas a cor é apenas um pormenor sem
importância. A cor da floresta está para os seres que as habitam como a cor das
flores está para os insectos: atrai, embora haja quem não acredite nisso.
Escapar de uma floresta requer um grande
sentido de orientação, ou uma grande coragem, ou uma grande sorte, ou outra
coisa qualquer. Não é fácil sair de uma floresta.
terça-feira, 13 de janeiro de 2015
A árvore e a floresta
Não é bem uma floresta mas é parecido, é
apenas um grupo de árvores. Lá no meio, mais ou menos no meio, tem uma árvore.
Claro que tem mais do que uma árvore, mas tem uma em especial. Uma árvore que
tem um tronco. Todas as árvores têm um tronco, mas aquela tem um tronco grande.
Há muitas árvores que têm troncos grandes, mas aquela, que tem um tronco, que é
grande, que está mais ou menos no meio de um grupo de árvores que parece uma
floresta, é especial porque tem uma flor. E de asas abertas.
quinta-feira, 14 de julho de 2011
L'arbre et la forêt

Qu'est-ce que c'est ça en face de moi? C'est ce que je vois ou ce que je pense qu'il est?
Je ne pouvais pas être plus trompé. Parce que ce que je vois ç’est juste ce que me semble que c'est et ce que je pense est loin d'atteindre toute la réalité qui l'apparence dissimule.
J'étais trompé. Les deux hypothèses alternatives ont été toutes les deux fausses. Et quand les deux alternatives sont erronées, il doit y avoir au moins une troisième hypothèse- considérer, même si elle est peu probable.
Les arbres ne sont pas tous égaux. Ni la forêt. Il y a des arbres droits, arqués et d’autres. Mais tous ont le tronc, les branches et les feuilles, au moins. Une forêt, qui est un ensemble d'arbres, obstrue la vue et ne permet pas à l'observateur de voir ce qui est au-delà. Un arbre, si vous y êtes très proche, ne permet pas de voir au-delà, même si c’est un seul arbre.
Une chaude journée d'été nous appelle pour une promenade. À la campagne où à la plage. Dans la forêt ou à la montagne. Ou à la forêt dans la montagne, dans le cas où la forêt se situe dans la montagne.
Le départ tôt de la maison le matin était prévu. Tout le reste n'était pas prévu. La première étape était de me diriger vers la montagne. Les circonstances de la vie m’ont fait pénétrer ensuite dans la forêt. Même si ça n'était pas prévu et même si je ne conaissais pas cette forêt.
À l'arrivée, au lieu de prêter attention à la forêt, j'ai remarqué un arbre. Le vent soufflait à bouger les branches comme des bras qui veulent me saisir. Je me suis approché et les branches, tels que fantômes, passaient devant moi et ne m’ attrapaient pas. Peut-être que le fantôme était moi et je n'étais pas assez solide pour que les branches se fixent.
Je ne pouvais penser à l'idée, mais il est possible que l'arbre ne m’a pas attrapé tout simplement parce qu'elle ne le voulait pas.
J'ai avancé un peu plus, en regardant ces branches et la touffe. C'est seulement quand je suis tombé le nez par terre que je me suis aperçu que l'arbre a également des racines.
Le vent s'est arrêté, les branches ont cessé de trembler et ont reculé ne me permettant pas même de me prendre là pour me lever.
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