Escritos na varanda
Imagino-me a escrever na varanda, ao fim da tarde, com o Sol a por-se no horizonte e uma bebida gelada ao lado. Como eu nem sequer tenho varanda, tudo isto é ilusão.
quarta-feira, 16 de dezembro de 2015
Sem rede
Não sou pescador. Nunca fui, acho que nunca hei-de ser, e tenho raiva a quem é.
Mas até eu gostaria de ter rede. Para pescar mensagens e chamadas.
No meio do nada esperei por ti e tu não viestes conforme tinhamos combinado. Esperei tempo demais, até pegar no telemóvel para ver as horas e reparar que não há cobertura de rede.
As horas, essas, foram levadas pelo vento que cria ondas na superfície da lagoa.
Frustrado guardo o aparelho, dirijo-me para o carro e começo a viagem de regresso. Ao aproximar-me da estrada principal chega um sinal de mensagem. Encosto o carro para ler. É tua. Dizes que não podes ir por causa de uma desculpa qualquer.
O habitual.
terça-feira, 15 de dezembro de 2015
segunda-feira, 14 de dezembro de 2015
A chegada dos reforços
Não é possível que tão poucas nuvens transportem tamanha quantidade de água.
Mas elas foram chamar as amigas.
E as amigas das amigas.
E as...
domingo, 13 de dezembro de 2015
Uma pauta em branco
As cinco linhas e os quatro espaços riscados no céu estão ainda em branco. Poderiam ser da melodia do silêncio. Mas não.
Em breve, quando a tempestade chegar ficarão cheios de notas, como um estendal carregado de colcheias e semifusas, largando as suas gotas de água sobre quem se atrever a passar por baixo.
sábado, 12 de dezembro de 2015
A ribeira da imaginação
Às vezes sento-me num banquinho de pedra que existe no muro que ladeia a ribeira. Não é muito confortável, nem a vista é muito agradável, mas com algum esforço e um pouco de imaginação conseguem-se arranjar pontos de vista interessantes. É preciso não esquecer que se trata apenas de uma ribeira urbana poluída.
Não há muito para fazer naquele banquinho. Apenas imaginar. Imaginar que a realidade não é aquilo que temos à nossa frente mas as ideias que saem da nossa cabeça.
Depois de desviar o olhar da ribeira, acaba-se a imaginação e a vida continua.
sexta-feira, 11 de dezembro de 2015
A boa disposição
A boa disposição deveria estar sempre presente.
Acontece que a teoria nem sempre se aplica na prática. E a tradição já não é o que era.
Porque quando vêm marrar connosco e foder-nos os cornos, é uma questão de tempo até haver merda.
Da grossa.
quinta-feira, 10 de dezembro de 2015
No manicómio do mundo
Estive quase a ser levado para um manicómio.
Mas onze dias depois consegui voltar a ter acesso ao meu bom e velho computador e tudo se recompôs.
Primeiro foram as caixas e os sacos que não paravam de se acumular.
O computador coitado jazia desligado e inerte debaixo de um monte de coisas que nem sei descrever.
Aos poucos uma caixa ou um saco foram sendo retirados e arrumados e comecei a vislumbrá-lo.
Primeiro a cauda do rato, depois o rato propriamente dito, a seguir a letra Q do teclado. Aos poucos foram aparecendo todas as restantes letras até formar o alfabeto completo.
Mas faltava sempre qualquer coisa, um cabo, uma ficha, ou a paciência. É que as caixas e os sacos não paravam de reclamar prioridade.
Com o desaparecimento de mais algumas caixas e sacos surgiu finalmente o espaço necessário para colocar a secretária e instalar o computador.
Isso aconteceu ao décimo dia. Ontem portanto. Quando chegou finalmente a hora de carregar no botão vermelho e despoletar a reacção em cadeia que iria originar a explosão de alegria por que tanto ansiava... nada.
Sim, isso mesmo, nada. O ecrã estava preto.
Tantos sacos e caixas à minha espera (quase todos ainda, no fundo) e um computador sem funcionar à minha frente. Um teste rápido daqui, uma experiência a correr dali e o veredicto final: a placa gráfica morreu.
Feitas as contas chego à conclusão que é mais barato fazer um aumento de memória do que comprar uma gráfica nova. Isto não é a solução do problema obviamente, é apenas um remedeio por falta de dinheiro. Com o aumento da memória para 6GB, e eu estava mesmo a precisar de aumentar a memória, só tinha 2GB, posso usar a gráfica integrada na motherboard sem constrangimentos. No futuro, quando tiver dinheiro logo compro uma gráfica nova.
E pronto, a história acabou por ter um final feliz para os restantes pacientes do manicómio: livraram-se de entrar em contacto comigo.
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