Escritos na varanda
Imagino-me a escrever na varanda, ao fim da tarde, com o Sol a por-se no horizonte e uma bebida gelada ao lado. Como eu nem sequer tenho varanda, tudo isto é ilusão.
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terça-feira, 30 de maio de 2017
A bolha
Hoje estou com a bolha. Esta e não só, há muitas outras. Treze horas em pé na Feira da Ladra deixam algumas marcas. Nada do outro mundo, que isto é ultrapassável e curável. O que arde cura e o que aperta segura. E amanhã é outro dia.
O que custa mesmo é atender o telemóvel durante o trabalho e ouvir a senhora do banco dizer que a puta a quem servi de fiador, que não procura trabalho porque não quer, só se for patroa, porque empregada não é com ela, tem o empréstimo à habitação novamente em vias de entrar em contencioso.
Se eu deixar de escrever as minhas crónicas da varanda, já sabem, é porque me passei dos cornos e fui preso.
Mas não se preocupem. Como eu nem seque fumo, não precisam de ficar com peso na consciência por não me levarem um maço de tabaco.
domingo, 9 de abril de 2017
Descalço vai para a fonte
Está a começar a época do ano de andar descalço.
E com os pés sujos.
E cheios de micróbios.
E de bactérias.
A bem da saúde.
A mental e a outra.
terça-feira, 28 de junho de 2016
À beira mar
Por vezes a água vem de mansinho lavar-nos os pés. Com aquele jeito que só a água do mar conhece, primeiro desfaz-se em espuma, depois avança devagarinho até se enrolar gelada em volta de nós.
Em seguida retira-se, mas não por muito tempo, que logo outra onda vem tomar o lugar da primeira.
sábado, 27 de fevereiro de 2016
As botas
Os pés há muito que seguiram outros
caminhos. As botas ficaram. Cobertas de pó, o mesmo pó que tantas vezes
pisaram.
Os pés já se transformaram em pó, rezam as
crónicas. Das botas sabe-se apenas que morreram no dia em que deixaram de ter
pés dentro, pois que sozinhas e sem se poderem deslocar, resta-lhes apenas
esperar que também elas se transformem no pó do esquecimento.
segunda-feira, 25 de maio de 2015
domingo, 17 de maio de 2015
Os caminhos da simplicidade (3)
Tantas marcas pela areia. Não são pegadas a maioria delas porque não são feitas por pés, são feitas por sapatos.
E era tão simples fazê-las com os pés descalços.
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