Escritos na varanda

Imagino-me a escrever na varanda, ao fim da tarde, com o Sol a por-se no horizonte e uma bebida gelada ao lado. Como eu nem sequer tenho varanda, tudo isto é ilusão.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

A batalha


Um tiro no porta aviões.
A batalha naval foi perdida.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

A memória tem destas coisas


Era uma simples caminhada ao longo da costa. Parava, ficava ali uns minutos especado a ver o Sol descer lentamente sobre o horizonte, caminhava mais um pouco, parava de novo, voltava a caminhar, e assim sucessivamente ao longo de algumas centenas de metros.
Quando parava podia observar a paisagem toda em redor, porém ao caminhar tinha que olhar apenas para o chão. Estava farto de tornozelos torcidos e roturas de ligamentos. É que o caminho não era nada fácil: terra batida, pedras, buracos, regos da água da chuva, ervas, mais pedras, mais buracos…
Foi depois de caminhar mais uns metros que parei, levantei os olhos, e quando esperava voltar a ver à minha frente apenas mar, linha do horizonte e o Sol quase a pôr-se, que a vi.
Não, não vi nada, apenas pensei que a vi, tal a semelhança do aspecto da paisagem. Entre mim e a linha do horizonte um arbusto feito de ramos sem folhas, atrás do qual ninguém se podia esconder, mas onde ela fingia que se escondia de mim.
Lembras-te, estupor?
Agora não estava ali ninguém, era apenas a minha memória a pregar-me partidas.


quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Entre duas águas


Por entre a água do mar e a das nuvens, passa a luz do Sol que se despede de mais um dia. A sua luz era necessária, pois há uma busca em curso. Mas a escuridão é mais necessária ainda, porque serve para manter o ciclo imutável e interminável dos dias e das noites, fundamentais para a manutenção da existência.

(Praia das Maçãs, durante as buscas pelos pescadores desaparecidos no naufrágio)

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

A árvore e a floresta


Não é bem uma floresta mas é parecido, é apenas um grupo de árvores. Lá no meio, mais ou menos no meio, tem uma árvore. Claro que tem mais do que uma árvore, mas tem uma em especial. Uma árvore que tem um tronco. Todas as árvores têm um tronco, mas aquela tem um tronco grande. Há muitas árvores que têm troncos grandes, mas aquela, que tem um tronco, que é grande, que está mais ou menos no meio de um grupo de árvores que parece uma floresta, é especial porque tem uma flor. E de asas abertas.


segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

A liberdade e a expressão


Sempre foi assim. Há os uns e os outros. Há os que têm direitos e os que têm deveres. Já no tempo do Neolítico havia os chefes das tribos e havia o pessoal das tribos.
Hoje em dia as diferenças não só se ampliaram infinitamente mais como se estenderam a todos os sectores. Qualquer posiçãozinha de merda é logo alvo de abuso de poder, sendo usada para autopromoção de quem a detém.
E depois há os que se acham no grupo dos “uns” e que julgam ter o direito de dizer “não faço”, e acham que os restantes pertencem ao grupo dos “outros” e têm o dever de andar contentes e felizes.
Vamos a ver até quando.


domingo, 11 de janeiro de 2015

O Silêncio


Caiu o pano. No sentido figurado, pois não havia pano. Isso não impediu no entanto que o silêncio e a escuridão se instalassem.
Perfeito. É a melhor maneira de começar de novo!

sábado, 10 de janeiro de 2015

Ensaios abertos e representações fechadas


Ensaios abertos e representações fechadas são as minhas especialidades.
São as minhas especialidades porque foi a única coisa que fiz, nunca fiz mais nada.
Só que um dia…
A vontade morreu. Bem estrebuchou mas, puseram-lhe por cima a tampa do caixão.
Sem luz e sem ar, adormeceu num instante.