Escritos na varanda

Imagino-me a escrever na varanda, ao fim da tarde, com o Sol a por-se no horizonte e uma bebida gelada ao lado. Como eu nem sequer tenho varanda, tudo isto é ilusão.
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domingo, 15 de outubro de 2017

Praça do império


"Imperador
A tua imperatriz
É por um triz
Que não se diz
Ser meretriz
E merecia"

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Nunca é demais recordar


A data de hoje não tem nada de especial.
Apeteceu-me e pronto!


segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Talvez um dia


Talvez um dia
Contra ventos e marés
A terra acorde seca
Sem a água do seu rio.
Talvez um dia
Quando os barcos atracarem
As cordas e as correntes
Os prendam ao próprio rio.
Talvez um dia
Quando os peixes protestarem
Deixe de haver pescadores
Deixe até de haver rio.
Talvez um dia
Para lá da Lua cheia
Não haja ondas nem espuma
No leito seco do rio.
Talvez um dia
As colunas deste cais
Se ergam, tristes, do fundo
Onde antes era um rio.
Talvez um dia
Até as próprias gaivotas
Se recusem a pescar
Nas águas secas do rio.
Talvez um dia
Deixe de haver memória
Ninguém saiba ou recorde
Que vida havia no rio.


quarta-feira, 2 de setembro de 2015

A carga pronta


Metida nos contentores, num dos contentores, estava uma caixa pequena. Tinha caido de uma palete que continha muitas outras caixas pequenas. Ali ficaria até que, no final da viagem, o contentor fosse aberto e a mercadoria despachada. Então alguém repararia nela, a abriria e encontraria um par de sapatos pequenos como a caixa,
Estava encontrado o destinatário. Porque há sempre crianças a precisar de sapatos junto de quem ganha o que come com o suor do seu rosto. Ao anterior proprietário não lhe fazia falta nenhuma, era um pingo de vaidade a menos, o equivalente ao valor de um parafuso do novo carro desportivo de alta cilindrada já encomendado, comprado com todas as gotas de suor roubadas a quem produziu um contentor de sapatos.

sexta-feira, 10 de julho de 2015

À procura


Deixa-me lá ver o mapa outra vez, onde é que raio fica o Mosteiro dos Jerónimos?

domingo, 12 de abril de 2015

Marco


Sou um marco, mas não marco nada.
Só as vejo passar, umas vezes a pé, outras vezes de bicicleta.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Pernas


Dar corda aos sapatos significa apenas prender os atacadores. É que os sapatos não correm sozinhos, são precisas as pernas para os impulsionar, e mesmo quem corre por gosto cansa-se e muito, de tal maneira que chegando ao fim, é preciso po-las a descansar.

domingo, 5 de abril de 2015

sábado, 4 de abril de 2015

De saida


- Suas, suas gaivotas. Não fazem mais nada do que estar aí pousadas, em fila?
É só o que sabem fazer? Sentarem-se e grasnarem umas para as outras?
Eu vou embora! Tenho mais que fazer! Já estou até quase a passar para o outro lado da imagem, para a imponderável leveza da invisibilidade.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

terça-feira, 31 de março de 2015

A cidade dos tijolos reluzentes


"All my friends were saying that the streets were paved with gold.
I couldn't wait to get there from the stories I'd been told."
(John Miles em 'Stranger in the city')

A exibição, a ostentação, as aparências, a vaidade, são o chamariz que mantém junto o enxame que serve de suporte a uma sociedade reluzente por fora mas podre por dentro.

Há quem advogue a valorização da consciência de cada individuo, mas depois aparece aquela singela pergunta: "de que serve a beleza interior se o pirilau não tem olhos?"

Mafalda, a filha do Quino, interrogava-se sobre o muito que evoluiu a tecnologia e o pouco que evoluiu a consciência humana.

Pouco? Mas evoluiu alguma coisa? O desejo de acumular ouro hoje em dia difere alguma coisa do dos povos pré-históricos? Ou é só porque usam falto e gravata em vez de uma pele de carneiro em volta do tronco?


segunda-feira, 30 de março de 2015

A trotinete


O braço doía-lhe. O cotovelo estava esfolado e a sangrar. Não que isso o preocupasse muito. Havia lá coisa melhor do que cair ao andar de trotinete.
O que o preocupava mesmo era que daqui a meia hora estaria em casa, e habituado que estava às prioridades do lugar, sabia que ia ter chatices por chegar com a manga da camisola rota. Sim, que a manga da camisola era mais importante que o seu direito a brincar.
As regras, sempre as regras, eram claras: o filho da Dona Inácia e do Senhor Jacinto não podia andar na rua a fazer aquelas figuras tristes, o que é que os vizinhos iriam pensar, valhamenossasenhora.
Previa um tempo de reclusão para a trotinete, escondida algures na despensa debaixo da saca das batatas. Durante algumas semanas passaria a ser uma trotinerte.


Sucesso


A escada do sucesso sobe-se degrau a degrau, às vezes com a ajuda de um corrimão.