Escritos na varanda
Imagino-me a escrever na varanda, ao fim da tarde, com o Sol a por-se no horizonte e uma bebida gelada ao lado. Como eu nem sequer tenho varanda, tudo isto é ilusão.
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domingo, 13 de novembro de 2016
domingo, 11 de setembro de 2016
Praia das sombras
Vagarosas, as sombras movem-se sobre a água cor de prata. A intervalos regulares uma nova onda chega até à praia, despeja a água que trás ao som da sua música e retira-se levando consigo para as profundezas os acordes da sua melodia.
Maré cansada esta que não faz mais do que imprimir reflexos de prata nas águas da baia.
terça-feira, 30 de agosto de 2016
Verde sombra
Uma sombra de dúvida, verde como o verde que nos rodeava, perpassou pelos seus olhos. Apesar do ruido consegui ouvir os seus olhos a dizerem que não.
A boca mantinha-se fechada, eram apenas os olhos que falavam. A resposta era sempre a mesma: não.
Procurou uma pedra e depois sentou-se. Ali ficou olhando demoradamente em redor, fixando cada pormenor.
A boca por fim falou, mas não disse nada que os olhos já não tivessem dito. Pareceu-me a mim que a boca falou com muito menos convicção do que os olhos, como se fosse uma desculpa, como se houvesse uma segunda intenção.
Procurei outra pedra e sentei-me também. Ali fiquei a "ouver" os seus olhos.
Os salpicos de água tudo molhavam, os cabelos, os rostos, as roupas. Ajudavam a disfarçar as lágrimas.
Por fim levantou-se e eu levantei-me também. Iniciámos o caminho de regresso. Quando saimos da sombra tudo se tornou mais claro.
quinta-feira, 18 de agosto de 2016
A árvore da sombra
Quebram-se em ti os raios do Sol. Desfazem-se na tua muralha de folhas as ondas de calor que o astro rei derrama sobre a terra.
E ali, à sombra dos teus ramos conseguimos inventar um pouco de acalmia no braseiro da tarde, beber da garrafa o líquido que nos mantém vivos, e, de costas no chão e olhos fechados, sonhar que o mundo não é mais que um manto de erva à sombra de uma árvore no meio da planície.
quinta-feira, 11 de agosto de 2016
40º â sombra
Sob um Sol escaldante
Há uma parca sombra
As folhas entrelaçadas
Que não tapam nada
E as gargantas secas
E a pele gretada
E a sede muita
De quem não bebe nada.
Sob um Sol escaldante
O metal queima
A pedra racha
A madeira arde
É a camada de ozono
É o aviso laranja
E as horas lentas
De quem não faz nada.
sábado, 25 de junho de 2016
À sombra duma azinheira
À sombra duma azinheira tive-a por companheira. Não jurei nada, porque não gosto de juramentos, mas não foi por isso que a minha convicção foi menor.
terça-feira, 7 de junho de 2016
O Guardião das Sombras
O Guardião das Sombras domina o horizonte. Antecipa a noite que se aproxima. Silhuetas que se movem furtivamente, são elas próprias sombras errantes.
Ao sabor dos ponteiros do relógio vai-se a escuridão instalando, empurrando o Sol para bem longe.
À luz das estrelas surgem depois os mochos e as corujas, Morcegos são bem vindos e até os pirilampos se passeiam pelas avenidas das trevas.
domingo, 22 de maio de 2016
Ao entardecer
É a hora dos mosquitos e das melgas. É a hora do regresso a casa após um dia de trabalho. É a única hora que nos permite encontrar e falar, sem ser por telemóvel ou por computador.
É à hora dos mosquitos e das melgas que nos encontramos num banco do jardim da cidade. Há quem prefira uma mesa de café. Outros, a confusão de um centro comercial.
Nós, porque é a loucura que nos une, preferimos o jardim da cidade, de onde vemos surgir a pouco e pouco as sombras que dominarão a noite enquanto o Sol estiver a dormir.
Há tolos que chamam a isto amor.
domingo, 20 de março de 2016
Sombras de luz
Já as sombras desciam devagar
Envolvendo em penumbra o fim de tarde
Fazendo o pensamento divagar,
Absorto na lareira que ali arde.
Já as sombras desciam e os ponteiros
Marcavam uma hora aproximada,
Foi-se o vento, caiam aguaceiros,
Tu não vinhas e nem dizias nada.
A garrafa já ia em metade,
E nem a noite ainda começou,
Fui buscar mais uma porque a vontade
De estar aqui contigo terminou.
Deixa lá que não vai haver saudade,
Foi um sonho lindo que se esfumou.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016
Da causa das coisas
Da luz que ilumina o conhecimento das coisas partem sombras em todas as direcções, menos naquela que verdadeiramente interessa.
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016
Falta de ideias
Há ideias que surgem com mais facilidade à sombra do que ao Sol. Da mesma forma que há outras que aparecem mais facilmente ao Sol do que à sombra.
Aqui, bom, aqui com o Sol quase quase a transformar-se em sombra, não me surgiu ideia nenhuma.
Ideia-otices.
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016
Os pombos
Olhou em redor para se certificar. Não
havia bancos à sombra naquele jardim, todos estavam ao Sol. Assim sendo não
precisava de escolher, sentou-se naquele que estava logo ali.
Puxou a boina mais para a frente, para
cobrir melhor os olhos, o Sol estava forte naquele início de tarde.
De um dos bolsos do casaco tirou um saco
com algumas côdeas que partiu em bocados mais pequenos e espalhou pelo chão à
sua frente. Do outro bolso tirou um saco com grãos de milho que espalhou
igualmente mas desta vez sobre a relva.
Dobrou os sacos vazios e voltou a coloca-los
num dos bolsos.
Olhou em volta e só então reparou que não
havia pombos.
quinta-feira, 20 de agosto de 2015
A árvore que dava sombras
As sombras não eram grandes, mas também a árvore não o era. Tinham o tamanho adequado para proteger dos raios do Sol que batiam inclementes em tudo o que estava para além da copa.
Cada pedaço do tronco, cada ramo, cada folha era como que uma pequena parte daquele chapéu de Sol verde e vivo, que balançava ao sabor da aragem que atenuava um pouco o calor sufocante que se fazia sentir. Todas as partes eram importantes para o resultado final de todo o conjunto.
Deveria ser criminalizado o abate de árvores que davam sombra, e punido com a pena máxima. Infelizmente não era, e havia até, entre os que faziam as leis e decidiam o que era e não era crime, muitos que preferiam sentar-se à sombra da árvore do dinheiro, que cresce apenas em alguns quintais.
quarta-feira, 8 de julho de 2015
O caminho das sombras
Cai a noite sobre a rua.
Chegou a hora das sombras,
Que não têm medo do escuro.
Acendem-se os pirilampos
Que até aí vivam escondidos.
Abrem-se portas mas ninguém entra
Acendem-se luzes mas ninguém vê
Desbravam-se caminhos
Mas ninguém os percorre.
As sombras, indiferentes a tudo
Até à sua própria indiferença,
Cobrem a cidade com o manto
Cinzento do esquecimento.
Esquecem quem são ou o que sabem
E partem em busca da inatingível luz,
Apenas alcançável quando nasce o dia.
Então, despem-se de todas as cores
Que a aurora lhes fornece,
E esquecidos de tudo,
Voltam a ser quem eram.
sábado, 23 de maio de 2015
A sombra
Ele olhava, olhava, olhava, mas não havia
ali nada para ver, além de ondas e mais ondas e mais ondas.
As mãos nos bolsos ajudavam a aconchegar o
casaco, pois apesar de estar Sol, era ainda inverno.
Os pensamentos, sempre os mesmos
pensamentos, teimavam em não o largar, e nem mesmo a brisa marinha os levava
para longe.
Pelo tamanho e direcção da sombra, diria
que era quase meio dia. Hora de almoço portanto. Era a única coisa que se
aproveitava ali.
sexta-feira, 24 de abril de 2015
As sombras da noite
Um último raio de Sol permite-nos ver
a estranha dança que as criaturas do ar executam, como se fossem sereias com
asas convidando-nos a segui-las.
Em breve as trevas vão obrigar a uma pausa
na imaginação mais delirante.
As sombras da noite ocultam as aves que
voam sobre as nossas cabeças.
quarta-feira, 29 de outubro de 2014
segunda-feira, 4 de novembro de 2013
A sombra
Sintra, Praia Grande, 5 Julho 2013
Há quem não goste do Reino das Sombras. Eu também não gosto, sou anti-monárquico.
O que está mal no Reino das Sombras é o reino, não são as sombras.
Prefiro sombras que não prestam vassalagem.
O que seria da fotografia sem sombras.
O que seria da vida sem sombras.
Há quem não goste do Reino das Sombras. Eu também não gosto, sou anti-monárquico.
O que está mal no Reino das Sombras é o reino, não são as sombras.
Prefiro sombras que não prestam vassalagem.
O que seria da fotografia sem sombras.
O que seria da vida sem sombras.
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