Escritos na varanda

Imagino-me a escrever na varanda, ao fim da tarde, com o Sol a por-se no horizonte e uma bebida gelada ao lado. Como eu nem sequer tenho varanda, tudo isto é ilusão.

domingo, 18 de fevereiro de 2018

O ar salgado do mar


Há uma praia distante onde as ondas vêm pousar de mansinho. Grandes blocos de pedra, erguem-se como guardiões, impedindo a fúria do mar de alcançar terra firme.
Sei que daqui a muitos milhões de anos a água mole vencerá a pedra dura. Talvez nem seja preciso tanto tempo, com o aumento do nível dos oceanos, a água mole passará por cima da pedra dura.
Mas por enquanto sinto-me protegido aqui. E posso sentar-me por longo tempo assistindo ao vai e vem das marés, ouvindo apenas as ondas a desfazerem-se em espuma, o vento a soprar para longe os salpicos do mar salgado e as gaivotas a piar enquanto voam em círculos procurando o peixe da próxima refeição.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

A poda



A minha primeira poda.
Quem não sabe, tem de aprender. É o meu caso.
Liga~se a internet, procura-se no google e depois pega-se na tesoura e no serrote.
É preciso cuidado porque a internet não ensina como não cair do escadote abaixo.


A coisa até que ficou com bom aspecto.
Tenho dúvidas é que no verão venha a dar maçãs.
Quase que apostava que não.


Pelo meio ainda dei umas tesouradas na laranjeira.






segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

A construção



As portas fecham-se
E as janelas abrem-se.
No entanto as paredes continuam a suportar o peso do telhado.

Foi pregando até chegar a uma parte da tábua onde, devido aos nós, a madeira era mais rija. Os pregos não entravam facilmente, então foi necessário aplicar mais força. Puro engano.
Devia saber, ou lembrar-se, que não se martela com mais força, a cabeça de um prego junto à qual está a cabeça de um dedo. O resultado pode ser…

Tinha agora tempo para pensar. A quantidade de pessoas que já estavam à espera na sala de espera, quando chegou, não deixava margem para optimismo.

Talvez que o problema fosse dos sonhos. Mas não, não podia ser, não acreditava nisso. A verdade é que nos últimos tempos tinha sonhado várias vezes com martelos. E agora, zás, acontecia-lhe um azar com um martelo.
Não podia ser, repetia para si próprio. Tantas vezes que sonhara em ganhar o euromilhões, e até agora nada, continuava a pregar pregos na vida.

A vida, a sua, era uma sucessão de sonhos pegados. E não só de noite, de dia, sobretudo de dia, também sonhava, e nada lhe acontecia, nem só um se tinha tornado realidade.
Portanto, a relação entre sonhar com martelos e dar uma martelada num dedo só podia ser coincidência.

Ah, as coincidências. Tantas que já lhe tinham acontecido. Como a martelada por exemplo. Se tivesse tirado o dedo um instante antes nada disto lhe teria acontecido.

Chamaram agora mais uma pessoa. A vida, ali dentro daquelas paredes, corria devagar. Tinha tempo para pensar nas muitas tábuas que tinha para pregar, nas muitas construções que tinha para erguer, nas muitas coincidências que tinha para enfrentar.
Custasse o que custasse, o telhado não podia desabar.


domingo, 11 de fevereiro de 2018

Onde anda a desobediência


Sinais dos tempos.
Não há rebanho que não tenha a sua ovelha ranhosa.
Ou não havia, porque até nisso as coisas estão a mudar: os rebanhos agora, a maior parte deles, são criados em "aviários".
Que dizer de um bando de gaivotas, todas iguais, todas alinhadas, sem uma única gaivota ranhosa?
Não vão longe, digo eu.

sábado, 10 de fevereiro de 2018

Brócolos de Mem Martins


Há cerca de duas semanas chegaram a este tamanho e não se desenvolveram mais.
Se não cresceram, os brócolos de Mem Martins vão fazer companhia às couves de Bruxelas na secção das mini hortaliças.



quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Era uma casa muito engraçada, parte final


A boa notícia do dia é que está pronto.
A má noticia é que está pronto mas não está acabado.
Eu explico.
A cabana está pronta, está toda montada, e posso desde já começar a utilizá-la.
O que falta é prende-la ao chão. Depois, aos poucos e com tempo vou tapar todas as aberturas para o exterior. Cada parte ondulada da chapa representa duas aberturas (uma em cima e outra em baixo) maiores do que a largura de um dedo polegar e por onde podem entrais quaisquer bicharocos.
Mas primeiro vou dar um descanso às mãos e aos dedos. Estão todos estragados. Quero tocar guitarra e não consigo. As cabeças dos dedos estão cheias de golpes e cortes.
A porta também vai precisar de uns reparos porque as duas metades não juntam bem, mas isso será no final porque é mais complicado. Não há muito a fazer porque tem a ver com a estrutura da casa. A solução é colocar uns remendos em borracha pelo interior.
Outra coisa a fazer é colocar um fio de silicone em todos os cantos, esquinas, arestas, pontas, e uniões das várias peças porque ao mais pequeno descuido a chapa corta mesmo





quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Era uma casa muito engraçada, parte 10


Já está. A estrutura ficou pronta hoje. Falta só a porta e mais uns acabamentos de pormenor.
Sem a ajuda que tive hoje não seria possível. Sozinho iria deixar vários parafusos do telhado sem serem colocados, mas assim a dois foram todos colocados.