Escritos na varanda

Imagino-me a escrever na varanda, ao fim da tarde, com o Sol a por-se no horizonte e uma bebida gelada ao lado. Como eu nem sequer tenho varanda, tudo isto é ilusão.

sábado, 31 de maio de 2014

Baisers volés


Hoje é dia de música.
Qual rock no rio qual carapuça.
Estou de saida para a Garagem da Graça, para ver Baisers volés.
Já os vi uma vez e sei que vai valer a pena.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Parece que...


- Aquilo é um avião militar?
- É, mas deve ir em missão de paz.
- Ah ok, então não é crime.
- Qual crime?
- De guerra, se vai em missão de paz…
- Não quer dizer nada, em paz também há crimes.
- Nunca ouvi falar em crimes de paz.
- São os crimes normais do dia a dia, é apenas uma questão de simplificação de linguagem.
- Ah, há crimes normais?
- Não, refiro-me aos crimes comuns que acontecem diariamente.
- A guerra também acontece diariamente, só por tentativa de branqueamento é que não lhe chamam crime.


quinta-feira, 29 de maio de 2014

Quadrophenia


Mono...carril
Bi...cicleta
Tri...ciclo
Quad...rophenia

Todos os caminhos vão dar ao rock.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Quando o telefone toca


- Está? É do talho?
- Não, não, minha senhora, é da Carris.
- Ah desculpe, é engano.


terça-feira, 27 de maio de 2014

(A)Tra(i)(c)ção


Atracção
A traição
Atraição
(A)Tra(i)(c)ção

Aproximou-se devagarinho. E nunca mais se afastou. Pelo menos durante três ou quatro anos. O nunca mais tem destas coisas, às vezes demora esse tempo todo.
Poder-se ia pensar tanta coisa. Isto, é claro, para aqueles que pensam tantas coisas. Porque há aqueles, mais limitados, cuja capacidade de raciocínio se reduz à obediência cega a preconceitos, que reduzem tudo à simplicidade das coisas difíceis, não sendo portanto necessário pensar tantas coisas, basta apenas uma.
A relação causa-efeito nem sempre é linear. Às vezes é uma rede. Cada vez mais está tudo em rede, as relações, as causas-efeitos, e as relações causas-efeitos.
Passados os tais três ou quatro anos, e finda a validade do nunca mais, afastou-se, também devagarinho.
Só que, agora o vagar era diferente. Muito diferente.
O vagar do afastamento é completamente diferente do vagar da aproximação.
O vagar da aproximação é como que uma pressa, mas em câmara lenta.
Já o vagar do afastamento é como um corredor que parou de correr por falta de forças e se arrasta penosamente, não até à meta, porque não vai chegar lá e mesmo que chegasse não serviria de nada pois já estava encerrada, mas até ao próximo posto de abastecimento. Líquido, de preferência.


segunda-feira, 26 de maio de 2014

Regresso


Uma semana depois, eis-me de volta.
Uma semana inteira sem facebook, sem skype, sem escrever nos blogs. Aliás, sem escrever mesmo nada, não só nos blogs, que a caneta também tem direito a descanso.
Não foi porém, por cansaço que parei, foi… por outro motivo.
Durante uma semana o meu único contacto com as novas tecnologias e a electrónica limitou-se ao interruptor da luz da casa de banho, e apenas para ter a certeza de acertar na sanita.
Não sei no entanto, se faço bem em voltar, se continuasse sempre em frente talvez fosse ter a algum lugar. Dependendo do lado para onde estivesse virado, poderia ser bom ou mau.
Tendo voltado, como voltei, resta-me continuar por aqui.
Até que…


segunda-feira, 19 de maio de 2014

Fechado

                                               Tarouca, 17 Julho 2010

Às vezes as portas fecham-se
Em silêncio, atrás de nós.
Às vezes os sonhos deixam-se
Desvanecer, por estarem sós.

Às vezes as portas fecham-se
E não as podemos abrir.
Às vezes os sonhos queixam-se
De não poderem existir.

Às vezes as portas fecham-se
E não as queremos abrir.
Porque as tristezas deixam-se,
Não as podemos permitir.

Às vezes as portas fecham-se
Enquanto nós nos afastamos.
Os que não nos amam, deixam-se
Para trás, não mais lhes ligamos.


domingo, 18 de maio de 2014

Menina

                                                       Lisboa, Alfama, 17 Maio 2014

Menina que vais formosa,
Formosa e não segura,
Segura a saia de rosa,
A rosa é formosura.


sábado, 17 de maio de 2014

Paralelismos

                                      Lisboa, Alfama, 17 Maio 2014

- Somos linhas paralelas, só nos encontramos no infinito.
- Então até ao infinito. Vou ter saudades tuas.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

A encruzilhada

                                      Porto, Parque da Cidade, Janeiro 2011

São horas de ir dormir. Amanhã tenho que me levantar cedo. Estou aqui sem saber se preparo a mala hoje ou se me levanto um pouco mais cedo para a preparar amanhã.
Em qualquer dos casos a vontade de a preparar não é nenhuma. O que quer dizer que qualquer das escolhas será certa.
Errado seria não a preparar, não me levantar cedo, não ir onde tenho de ir.
A vontade de facto não é nenhuma.
É bom sinal, vai correr tudo bem.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

OGM's

                                                          Porto, Rua Costa Cabral

Os organismos geneticamente modificados andam aí à solta e quase ninguém faz nada para os deter.
Parece que há até quem goste.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

O nacional-futebolismo


O nacional-futebolismo queria que hoje fossemos todos portugueses.
Eu não sou lisboeta nem português, mas sim um cidadão do mundo.

terça-feira, 13 de maio de 2014

A curva


- Bom dia, pode dizer-me qual o caminho para…
- Vá por ali, faça aquela curva e depois vá sempre em frente até…
- Desculpe, mas eu nem cheguei a dizer-lhe para onde queria ir.
- De facto eu não sei para onde quer ir, mas também não lhe disse que o caminho o levava ao seu destino.
- Então como sabe que é indicado para mim? Se eu chegar ao fim e descobrir que estou no sítio errado?
- Fim? Mas quem lhe disse que aquele caminho tem fim?
- Não tem fim? Então ainda pior, nunca vou saber que cheguei a sítio nenhum.
- Sítio nenhum também não existe. Todos os sítios são alguma coisa.
- Pois bem, vou dizer-lhe o nome do sítio para onde quero ir, talvez assim me possa ajudar…
- Já o tentei ajudar, mas não aceitou a minha ajuda…
- Mas se nem sabe o que eu lhe ia perguntar…
- Também nem sabe como ir ao seu destino… estamos empatados.
- Acha que isso serve como ajuda?
- Se não fosse tão exigente, servia.
- Mas eu não estou a exigir nada, estou a pedir.
- E eu estou a dar.
- Porque não me dá a informação que eu quero?
- Porque é esta a informação que eu tenho para dar.
- Esta conversa não leva a lado nenhum, vou seguir o caminho que me indica, também não vejo mais nenhum…
- Não há mais nenhum.
- Porque não me informou disso?
- Porque não me perguntou.


segunda-feira, 12 de maio de 2014

Auto-retrato


Auto-retrato de um morto em cuecas.
Não há muito mais para dizer ou mostrar.
Dentro de pouco tempo fecha-se a tampa e pronto.
Só que, oh malícia atroz, oh sarcasmo diabólico, não é o fim.
Vai continuar a doer por algum tempo mais,

domingo, 11 de maio de 2014

O corte

                                          Foto da Rafaela, em 6 Abril 2014

É preciso cortar alguma coisa, é verdade.
Mas o quê? E onde? E a quem?

sábado, 10 de maio de 2014

Um morto em cuecas



Nem todos os mortos se podem gabar de aparecerem em cuecas às visitas.
Nem todos têm essas formalidades.
Alguns, devido à sua classe social, têm outras (formalidades).
Porém,o que o regulamento determina é que todos, sem excepção, devam ser encerrados numa cova do cemitério.
Seja de cuecas, ou de fato preto.


Mais fotos do ensaio de hoje podem ser vistas aqui:
https://picasaweb.google.com/104016268436238696301/201405UmMortoEmCuecas?noredirect=1


sexta-feira, 9 de maio de 2014

A flor


É nas pedras da calçada
Que a flor desponta e cresce
E entre pedra dura e gasta
Perpetua a sua espécie.
É nas pedras da calçada
Mesmo ao lado do alcatrão
Que uma flor desamparada
Desafia a solidão.
Sobre as pedras da calçada
Passam passos apressados
Ninguém repara em nada
Já vão todos atrasados.


quinta-feira, 8 de maio de 2014

A escala



A pequenez humana diante da imensidão.
E no entanto, apesar das diferenças de tamanho, é a pessoa humana e a sua dignidade que devem ter toda a prioridade, que devem ser protegidas e defendidas de religiões, dogmas, doutrinas, ideologias, "mercados", ou seja por outras palavras, do poder do dinheiro.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

A cerca


A cerca cerca.
Cerca-nos.
A cerca cerceia.
Cerceia-nos o medo
De nos mantermos cercados.
Porque é preciso
Mais do que uma cerca
Para cercar
Os que não têm medo
De a transpor.

terça-feira, 6 de maio de 2014

O pau


O pau é importante por um número incontável de razões.
Neste caso concreto é importante porque serve de centralizador da atenção nesta fotografia.
Se não fosse o pau, esta imagem não teria nada de interessante para ver.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Mudança de nome


Podia passar a chamar-se Praia da Grande Rocha.
A rocha é que é grande, a praia já não é.

domingo, 4 de maio de 2014

Janela com vista para o horizonte


Da janela vejo o horizonte.
Da janela vejo o fim do mar.
Da janela onde eu estou defronte,
Sem portadas, entra todo o ar.

À janela sinto o cheiro forte
Das ondas transformadas em espuma.
Vejo os barcos, que vão para o norte,
E as gaivotas, conto uma a uma.

À janela o tempo não tem fim,
Passa lento como um barco à vela,
E faz que eu me sinta bem assim.

Quando estou aqui nesta janela,
Para ser perfeito, para mim,
Só me falta a presença dela.


Bolas, estou cada vez pior.
Gosto muito desta fotografia. Achava eu que merecia ter um texto qualquer a acompanhá-la, e vai daí coloco o lápis no afia para lhe aguçar o bico. Sim, que escrever com a ponta romba não tem graça nenhuma.
Mas… eis que me sai um soneto com versos de nove sílabas! Nunca se viu tal coisa.
É caso para dizer: “é pior o soneto que a fotografia”.

sábado, 3 de maio de 2014

(Falta de) Inspiração



My old guitar and I
Have shared the same old ways
This old guitar of mine
Has been my company throughout the years

Bolas, há quanto tempo estou aqui encalhado e não me sai o resto. Isto já não é falta de inspiração, é falta de jeito mesmo :-(

sexta-feira, 2 de maio de 2014

A minha praia


A minha Praia Grande está mais pequena.
Por troca com a areia que desapareceu, surgiram muitas rochas à superfície.
O nível da areia está muito mais baixo, logo na maré cheia a água chega muito mais acima, e quando vasa a areia que fica a descoberto está molhada.
A área de areia seca é mesmo muito pequena.



quinta-feira, 1 de maio de 2014

Olá Maio


Olá Maio
Que floresçam as papoilas da esperança num mundo melhor.