Escritos na varanda

Imagino-me a escrever na varanda, ao fim da tarde, com o Sol a por-se no horizonte e uma bebida gelada ao lado. Como eu nem sequer tenho varanda, tudo isto é ilusão.

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Debaixo do mesmo tecto


Não estava frio nem calor. Estava uma daquelas temperaturas que tanto podiam dar para uma coisa como para outra.
Não era cedo nem tarde. Era uma hora em que ainda se podia fazer muita coisa, ou que talvez já não desse para fazer nada.
Não chovia nem fazia sol. Talvez o tempo se aguentasse se as nuvens passassem ao largo ou talvez chovesse a cântaros se o vento as empurrasse na direcção errada.
Não apetecia ficar nem sair. Não havia nada para fazer ali nem havia nada que apetecesse fazer lá fora.
Não queria falar nem calar-se. Não queria que o obrigassem a contar nem queria que o impedissem de se expressar.
Não sabia se rir ou chorar. No futuro, de cabeça fria, talvez achasse graça, mas agora não tinha graça nenhuma.
Assim, ficaram ali os dois debaixo do mesmo tecto, cada um a dar corda aos seus próprios pensamentos, até que o destino que ali os juntou, os voltasse a separar.


sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Semi cru


Já havia o semi frio. Eu acabei de inventar o semi cru.
Não sei como é que estas coisas acontecem comigo. Só pode ser culpa do forno.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Ao luar


Do norte vinha a massa de ar que enchia de frio a escala do termómetro. De nordeste vinha o vento que fazia enregelar o mais espesso agasalho. Do alto vinha a chuva que molhava até aos ossos.
Indiferente à chuva, ao vento e ao frio, um ser minúsculo na imensidão das ruas vazias caminhava agarrado a um guarda chuva que já conhecera melhores dias e ameaçava a todo o momento transformar-se num morcego com uma só asa e sair voando ao sabor das rajadas de vento.
A parede junto da qual passava protegeu-o temporariamente do vento o que lhe permitiu segurar o guarda chuva com uma só mão, enquanto a outra tirava o telemóvel do bolso do casaco, apenas para verificar que, segundo o Sports Tracker, ainda lhe faltavam sete minutos de caminhada.
Estava quase.


quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

O cogumelo trá-lá-lá


Todos os cogumelos são comestíveis.
Alguns é que são tão gananciosos, tão gananciosos, que não dão hipótese a que se coma mais nenhum.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Este chão que piso



O caminho é feito de avanços e recuos. Por vezes pára-se, outras vezes vira-se para algum dos lados em busca de outra direcção. Ao certo não se sabe quantas vezes já passámos pelos mesmos sítios, quantas vezes já vimos os mesmos locais, quantas vezes já cumprimentámos as mesmas caras.
E os pés continuam, passo atrás de passo, como se as solas fossem eternas, como se o destino não pudesse ser encontrado aqui e agora e tivéssemos que caminhar para o encontrar.
Em todo o caso sempre são mais os avanços do que os recuos.


segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Os patins


Ontem foi dia de patins. A dobrar. Aqui e na Grécia, houve quem levasse um par de patins.
Je suis grego.

domingo, 25 de janeiro de 2015

O principio

                              Foto: Wikipédia

O dia de hoje marca o princípio da esperança para milhões de pessoas, e o princípio do medo para os que até agora sempre viveram à custa da desgraça alheia.
A mentira e a chantagem funcionaram até agora, de que é exemplo o recente referendo escocês. Mas nada dura para sempre e um dia perde-se o medo.
O dia foi hoje.