Escritos na varanda

Imagino-me a escrever na varanda, ao fim da tarde, com o Sol a por-se no horizonte e uma bebida gelada ao lado. Como eu nem sequer tenho varanda, tudo isto é ilusão.

sábado, 3 de fevereiro de 2018

Era uma casa muito engraçada, parte 6


Quando comecei a espalhar os ferros pelo chão reparei logo num pormenor. Parecia que o estrado era grande de mais. E realmente era. Sobrava muito espaço.
Não é possível que eu me tivesse enganado nas contas, foi tudo verificado. A casa tem, segundo diz o folheto, a caixa, e o cartaz exposto na loja, 185cm x 245cm.
O estrado foi feito dando uma margem de 10 cm para cada lado. Mas o espaço que sobra de cada lado é bem mais de 10 cm.


Pus-me a pensar. Sentei-me numa pedra, apoiei o cotovelo no joelho, pus a mão debaixo do queixo, e pensei. E então descobri. As medidas que os cabrões indicam são as medidas do telhado, que tem um beiral a toda a volta da casa. A casa propriamente ditas é mais pequena, Por isso sobra espaço.
Não se pode confiar nestes gajos. Mas pelo menos sobra espaço, era pior se faltasse.


O trabalho que está à vista é de hoje de manhã. À tarde vou para Lisboa para a aula de russo e quando voltar vai estar escuro demais para poder fazer alguma coisa. Por isso vai ter de ficar assim até amanhã.
Espero que não faça vento porque as duas partes verticais estão instáveis. Como precaução segurei a travessa horizontal ao pilar. Não é grande coisa mas é melhor que nada.


Falta referir que as instruções são de facto difíceis de ler. Houve algumas peças que coloquei e depois tive de voltar a desmontar porque estavam numa posição incorrecta. Pareciam simétricas mas não são.